As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 30,7% entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, as vendas ao bloco somaram US$ 44,17 bilhões, uma alta de 20%, segundo dados do MDIC divulgados pelo governo brasileiro.

Os indicadores mostram a expansão das vendas brasileiras em um período marcado pelo início da aplicação provisória do Acordo Mercosul–União Europeia. Embora o crescimento das exportações também seja influenciado por fatores como demanda, preços internacionais e câmbio, o cenário reforça a importância de avaliar as condições comerciais disponíveis para cada empresa.

A pergunta para o negócio é: quais oportunidades do acordo podem ser efetivamente aproveitadas pelos seus produtos?

Uma preferência tarifária prevista no acordo não se traduz automaticamente em vantagem para qualquer operação. Seu aproveitamento depende do enquadramento da mercadoria, do cronograma de redução tarifária e do cumprimento dos requisitos de origem e comprovação. Por isso, acompanhar o crescimento do comércio é apenas o ponto de partida. O passo seguinte é entender como essas condições se relacionam com o portfólio e a cadeia produtiva da empresa.

A oportunidade começa pela análise do produto

A classificação fiscal é uma das primeiras verificações necessárias. É a partir dela que a empresa identifica o tratamento tarifário previsto para a mercadoria, a categoria de desgravação e os requisitos específicos de origem aplicáveis.

O cronograma de desgravação também precisa entrar na avaliação. As reduções podem ocorrer em etapas, com prazos diferentes conforme o produto. Assim, uma oportunidade futura não deve ser tratada como economia imediatamente disponível. Identificar a condição aplicável no momento da operação permite construir projeções mais consistentes e orientar negociações comerciais.

Nas exportações brasileiras, essa análise ajuda a compreender o tratamento que o produto poderá receber na entrada na União Europeia. A eventual redução tarifária pode influenciar a competitividade da oferta, mas seu efeito comercial depende também das condições de venda, dos custos envolvidos e da negociação com o cliente.

As regras de origem conectam o benefício à cadeia produtiva

Para acessar uma preferência, não basta que a mercadoria seja exportada do Brasil. Ela precisa cumprir os critérios de origem estabelecidos pelo acordo.

Dependendo da regra aplicável, a qualificação pode exigir a análise dos materiais utilizados, de sua classificação tarifária, de sua origem, dos valores envolvidos e das etapas de fabricação. Um produto fabricado no país pode utilizar insumos importados e ainda atender aos requisitos, desde que cumpra as condições previstas. Da mesma forma, a fabricação local, isoladamente, não permite presumir o atendimento à regra.

É nesse ponto que a composição e a origem dos insumos ganham relevância estratégica. Decisões sobre fornecedores, materiais e processos produtivos podem alterar o resultado da qualificação. Avaliar essas variáveis permite identificar limitações, comparar alternativas e verificar se ajustes na operação podem ampliar as possibilidades de aproveitamento do acordo.

Essas decisões precisam considerar seus efeitos sobre custo, qualidade, capacidade produtiva e abastecimento. Uma alternativa favorável sob a perspectiva tarifária deve ser analisada em conjunto com as demais necessidades do negócio.

Da análise técnica à decisão comercial

O estudo de origem ganha valor quando oferece respostas para decisões concretas: quais produtos merecem prioridade? Qual preferência está disponível hoje? Que informações precisam ser obtidas dos fornecedores? A configuração produtiva atual atende aos requisitos? Quais cenários justificam uma avaliação mais aprofundada?

Além de verificar a elegibilidade, a empresa precisa manter documentação coerente com a produção e observar os procedimentos exigidos para comprovar a origem. Essa base permite sustentar as informações declaradas e responder a eventuais verificações.

Na TTMS, os estudos técnicos de origem combinam análise tarifária, avaliação das regras aplicáveis e simulação de cenários para apoiar decisões comerciais e operacionais. O trabalho considera as características dos produtos e das cadeias produtivas, ajudando a identificar condições de acesso às preferências e oportunidades que podem passar despercebidas.

O potencial do Acordo Mercosul–União Europeia varia conforme a realidade de cada empresa. Conhecer esse potencial exige transformar as condições do acordo em uma análise específica da operação.

Fale com a TTMS e avalie quais oportunidades podem gerar valor para o seu negócio.